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" O saber a gente aprende com os mestres e com os livros, a sabedoria se aprende é com a vida e com os humildes."
(Cora Coralina)

domingo, 18 de novembro de 2012

'Ensino a distância é parceiro da educação'

Após o lançamento de plataforma de ensino online, o responsável pela área acadêmica de Harvard diz que nenhuma instituição pode ficar de fora da web.
Alan Garber, responsável pela área acadêmica de Harvard, sobre o edX: "É um projeto ambicioso."

A internet costumava terreno de experimentações para as grandes universidades. Agora, ela é a peça central para o futuro de prestigiadas instituições. Na semana passada, a Universidade Harvard e Massachusetts Institute of Technology (MIT) anunciaram o edX, uma plataforma online de educação a distância que vai disponibilizar cursos e conteúdos na web a custo zero. “Nenhuma grande universidade hoje se furta a explorar as potencialidades da internet”, diz Alan Garber, responsável pela área acadêmica de Harvard e pela parceria com o MIT. “Estar ausente nessa seara não é mais uma opção. A pergunta que as instituições se fazem agora é quando e como abraçar a internet.” Este é não é o primeiro investimento de Harvard em educação online mas certamente é o mais ambicioso. Com a nova ferramenta, a universidade pretende conhecer melhor o processo de aprendizado dos estudantes e aplicar as descobertas em esforços para melhor a qualidade de suas aulas. "Com a chegada da internet existe uma revolução", diz Garber. Para os que temem que a os avanços da internet minem as relações interpessoais proporcionadas pela convivência diária no campus, o acadêmico respode: o ensino a distância é um aliado da educação. Confira a entrevista que Alan Garber concedeu ao site de VEJA:
Quando começaram as discussões para a criação do edX? Há bastante tempo discutíamos em Harvard o tema da educação à distância. A parceria com o MIT em especial surgiu há cerca de cinco meses. Percebemos naquele momento que as duas instituições tinham muito em comum e as coisas acabaram acontecendo muito rápido.
O que motivou essa parceria? Queremos oferecer educação de qualidade para todo o mundo, melhorar o aprendizado em nosso próprio campus e realizar pesquisas aprofundadas a respeito de como as pessoas aprendem para, posteriormente, utilizarmos esses dados para aperfeiçoar a maneira como ensinamos. O edX foi criado para satisfazer esses nossos três objetivos.
A que o senhor se refere quando diz que pretende conhecer com profundidade a maneira como as pessoas aprendem? Tradicionalmente quando pensamos em medir como as pessoas aprendem, pensamos em testes padronizados que aferem o conhecimento e a partir daí são analisadas possibilidades que podem melhorar o aprendizado. Com a chegada da internet existe uma revolução. Agora sabemos com precisão o tempo que cada estudante gasta resolvendo um exercício ou quantas vezes ele precisa assistir a um vídeo até que apreenda todo o conteúdo. Sabemos onde ele clica, quando ele pausa, acelera ou simplesmente desiste de resolver algum problema. Isso tudo nos dá a dimensão exata da evolução de cada um dos estudantes e de seu processo de aprendizagem. Ainda está em discussão que tipo de dados vamos coletar e como eles serão utilizados. De qualquer forma, trata-se de um projeto bastante ambicioso.
O edX é a primeira incursão de Harvard no ensino online? Não. Já temos em funcionamento a Harvard Extension School, que oferece vídeos, cursos e certificados profissionais. Mas com o edX é a primeira vez que trabalhamos em parceria com outra instituição nessa campo.
Diante dos avanços da tecnologia, uma grande universidade pode se furtar a fazer usos de ferramentas online hoje em dia? Não. Estar ausente nessa seara não é mais uma opção. Esse é um ponto pacífico pelo menos aqui nos Estados Unidos. As universidades não se perguntam mais se vão ou não vão fazer uso de plataformas online. A pergunta que elas se fazem agora é quando e como abraçar a internet. Elas estão convencidas de que essa ferramenta vai ajudá-las em sua missão. Algumas já fizeram investimentos milionários nessa área há alguns anos e outras estão esperando. Nós, Harvard e MIT, acreditamos que o momento certo é agora.
Harvard é uma das mais prestigiadas e rigorosas universidade do mundo. Os padrões de qualidade serão os mesmo na internet que no campus da instituição? Tenho a certeza de que nosso padrão será o mesmo, mas as formas de avaliar o sucesso dos alunos e da metodologia empregada serão diferentes pelo simples fato de que os cursos serão diferentes. O conteúdo disponível na internet não é o mesmo que estará na sala de aula.
Existe um público específico que atende aos cursos online ou eles são feitos para todo mundo? Essa é uma questão a ser respondida com o tempo. Ainda não é possível dizer com precisão que tipo de aluno aprende melhor na internet. O que sabemos até o momento devido às nossas experiências anteriores é que esse tipo de ensino atinge um número grande de pessoas uma vez que é possível ter flexibilidade e as barreiras geográficas são minimizadas na web. Mas também é verdade que algumas pessoas se adequam melhor ao sistema online que outras. Com o passar do tempo, saberemos mais sobre isso e como identificar cada um dos grupos.
É possível ensinar disciplinas mais densas e complexas como filosofia na internet? Esse também é um tema que vamos descobrir ao longo da experiência. Vamos oferecer cursos de ciências humanas também e analisar como eles funcionam na prática. Eu tendo a acreditar que é possível sim, mas é necessária uma abordagem diferente da de um curso de negócios ou de computação.
Algumas pessoas se perguntam se os cursos online vão matar o contato pessoal, tão importante durante a formação dos universitários. Qual a reposta do senhor a esse temor? Não vejo que em um futuro próximo os cursos online vão acabar com o relacionamento interpessoal. Ao contrário: acredito que eles estarão caminhando juntos, em prol da educação. Com a internet, por exemplo, podemos repensar a maneira como usamos o tempo dentro da sala de aula. Isso dá liberdade para que professores e alunos experimentem novas formas de aprender. Isso porque os mestres esperam que os estudantes tenham contato com a matéria em casa e vão às aulas para discutir ou levantar questionamentos mais profundos e não para ter uma aula expositiva, como ainda acontece na maioria dos casos. Além disso, existem milhares de pessoas ao redor do mundo que gostariam de estar em Harvard mas, por diversos motivos, não podem chegar até nós. Uma plataforma online é a chance de ter ensino de excelência em qualquer canto do planeta.

Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/ensino-a-distancia-e-parceiro-da-educacao

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA - O novo ritmo da informação. Vani Moreira Kinski


Professores-Robôs dão aula de Inglês para crianças na Coreia do Sul

No país, o futuro já faz parte do cotidiano. Os coreanos fazem compras pelo celular e vivem conectados.

A saudação para quem chega à Coreia do Sul bem que poderia ser: “Bem-vindo ao futuro”. No país os robôs já não são coisa de laboratório e fazem parte do dia a dia. A internet é a mais rápida do mundo. E os coreanos aproveitam para estarem sempre conectados. Aliás, no país tudo está conectado.

Um supermercado fica no metrô de Seul, e as compras são feitas por um painel. Basta aproximar o telefone celular de um quadradinho, que funciona como um código de barras, apertar o comando, e a compra está feita.

As pessoas poderiam fazer as compras de uma maneira semelhante usando o computador, mas uma das vantagens do supermercado virtual é que é possível ver o tamanho e a aparência dos produtos. É possível escolher os itens que você quer, fazer as compras, pegar o trem e ir para casa, enquanto aguarda a entrega.

Um rapaz disse que é uma ótima ideia, porque ajuda a passar o tempo enquanto ele espera o metrô. E ele aproveita para comprar o que está precisando.

As compras feitas pelo celular vão para um computador em um supermercado de verdade e saem impressas também em código de barras. Em poucas horas, os produtos são separados e embalados para chegarem ao destino de maneira rápida e prática.

Mas e quando se quer ir pessoalmente fazer as compras, em um shopping, por exemplo? Em um deles, o público conta com a ajuda de uma robô. Ela fica passeando pelos corredores e tem como função dar informações. Para as meninas que querem assistir a um filme, a robô apresenta os horários das sessões e até passa um trechinho para saberem ao que vão assistir.

As crianças já estão tão acostumadas com seres cibernéticos que até cumprimentam um deles quando chegam à sala de aula. Em uma escola, o professor é um robô. Ao todo, 30 escolas da Coreia do Sul já estão usando robôs para dar aulas de inglês. Um deles tem duas funções e uma cara diferente para cada uma delas. Quando está com uma cara de robô, significa que está funcionando sozinho. Uma das tarefas é corrigir a pronúncia dos alunos. Quando o aluno acerta, ele dá os parabéns. Quando erra, diz que é para tentar mais uma vez. Mas o robô também pode ter outro rosto, que significa que ele está sendo controlado por uma professora de verdade.

O professor-robô não substitui o professor humano, que ainda é muito necessário para uma boa educação. Ele apenas não precisa mais ficar dentro da sala de aula. Pode, por exemplo, ficar em outra sala. Ela poderia também estar em casa, em outro país, em qualquer lugar do planeta, ensinando como se estivesse dentro da sala de aula.

O rosto que aparece no robô é bem diferente do da professora. A imagem é, na verdade, um avatar - uma figura virtual que representa um ser real. As expressões faciais, porém, são as mesmas, porque o computador da professora tem um sensor que capta os movimentos do rosto dela e transmite para o robô, que repete direitinho. "O professor robô é muito engraçado", diz uma aluna. "Eu sinto mais vontade de estudar com ele do que com um professor humano”.

O diretor do Centro de Inteligência Robótica, Musang Kim, explica que os robôs são usados para ensinar inglês, porque não há professores suficientes na Coreia que tenham bom domínio da língua. Nada impede que, no futuro, possam ser usados em outras disciplinas. Ele diz que os resultados são excelentes: "Os alunos coreanos costumam ser muito tímidos. Com o robô, eles se soltam, participam e conseguem aprender mais".

Até cantam com a ajuda do robô.

Em outra sala de aula, a professora é de carne e osso. Mas nem por isso ela é menos tecnológica.

Os alunos têm internet sem fio na sala de aula, ou seja, têm acesso a qualquer página da internet e podem conversar com qualquer pessoa no mundo. Você pode achar que é difícil prestar atenção na aula desse jeito, mas a professora tem controle total sobre os alunos. Ela consegue ver as telas dos computadores de todos eles.

O repórter Roberto Kovalick pergunta para um dos alunos se de vez em quando ele fica de papo com os colegas pela internet durante a aula. E ele diz, sem querer: “às vezes, sim”. Mas rapidinho se corrige: "Não, não nunca fiz isso”.

A professora explica que, se o aluno não estiver prestando atenção, manda uma mensagem que aparece só na tela dele. É o puxão de orelha individual. Mas, de vez em quando, ela diz que precisa usar o velho método da bronca em alto e bom som.

Quando os jovens coreanos crescerem, não vão estranhar quando encontrarem um robô na cozinha fazendo o serviço de casa. Um deles consegue identificar cor e formato pelos olhos, e a textura usando o tato, como nós humanos fazemos. Por isso, consegue achar os produtos na geladeira e servir direitinho.

Esse futuro em que um dia viveremos está chegando mais cedo à Coreia. Internet de graça, telas sensíveis ao toque e outros luxos em quase todo o mundo estão à disposição nas ruas de Seul.
 
Fonte: